quinta-feira, 6 de maio de 2010

Faltam dados sobre quem consome crack no Brasil, diz coordenador de programa do Ministério da Justiça

do R7

Coordenador do Pronasci diz que país carece de dados sobre usuários de crack; levantamento mais recente é de 2005 Embora o consumo do crack já seja algo comum nas ruas dos grandes centros urbanos do país, ainda faltam dados nacionais sobre o número de vítimas e o perfil dos usuários da droga no Brasil. Em entrevista ao R7, o secretário-executivo do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), ligado ao Ministério da Justiça, Ronaldo Teixeira da Silva, afirmou que as informações disponíveis ainda são contraditórias e que a primeira grande pesquisa sobre o tema, elaborada pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), só deve sair em dezembro deste ano.

- Tudo o que se tem dito sobre o crack é inverdade ou é uma eventual estimativa, não é verdadeiramente o que ocorre. [...] Só para se ter ideia, nós temos uma pesquisa recente que indica que 5% da população de rua faz uso do crack e, no Rio Grande do Sul, um outro levantamento aponta que o número chega a 39% entre os moradores de rua. [...] Então, embora essas pesquisas sejam importantes, os números ainda são muito díspares.

De acordo com o Ministério da Saúde, o levantamento mais recente sobre o consumo da droga é de 2005, feito pelo Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas) em 108 cidades brasileira. A pesquisa aponta que 0,1% da população fumou crack nos 12 meses anteriores à pesquisa. No mesmo período, 2,6% haviam fumado maconha, 1,2% tinha utilizado solvente, 0,7% havia usado cocaína, enquanto 49,8% das pessoas consumiram álcool.

O ministério afirma que não há números absolutos com relação ao consumo da droga no país, mas cita outra pesquisa, realizada por universidades federais do Rio de Janeiro e da Bahia, como responsável para traçar o perfil do usuário.

Ainda na tentativa de dar um raio-x do problema , o psiquiatra especializado no tratamento de dependentes do crack Pablo Roig apresentou na última quarta-feira, na Câmara dos Deputados, uma estimativa feita com base em dados do censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). Segundo ele, o número de usuários hoje no Brasil está em torno de 1,2 milhão e a idade média para início do uso da droga é 13 anos. O dado foi divulgado no lançamento da Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack.

O assunto também será um dos destaques do 1º Simpósio Sulamericano de Políticas sobre Drogas, que acontece entre esta quinta-feira (6) e o sábado (8) em Belo Horizonte (MG). Teixeira é um dos palestrantes no evento e deve falar sobre os impactos da droga sobre a segurança pública no Brasil.

Combate

De acordo com o secretário-executivo do Pronasci, embora os dados sobre o uso da droga no país sejam escassos, o governo federal tem enfrentado o problema por meio de duas frentes: pela repressão à venda do crack, com o aumento da fiscalização das fronteiras e a criação dos “Territórios da Paz”; e pelo tratamento dos usuários.

- Até o final do ano passado, a Polícia Federal fez 74 grandes operações para inibir o ingresso das drogas no país.

Para Teixeira, a facilidade do ingresso da droga pelas fronteiras do país e a rapidez com que os seus efeitos são sentidos no corpo contribuem para a disseminação do consumo do crack não só entre moradores de rua, mas também entre jovens de classe média.

- Por um lado nós temos uma sociedade que tem pressa em fazer tudo, e por outro, temos o crack, que nesse aspecto [dos efeitos sobre o corpo] é muito instantâneo, e é uma droga barata. [...] Então é neste contexto que ele pode crescer entre a classe média.
O secretário lembra, porém, que ainda não há números que comprovem a disseminação da droga entre os jovens de classe média, dado que também deve integrar a pesquisa a ser lançada no final do ano.

O coordenador do programa destacou a importância de debater o tema em eventos como o que começa hoje, e defendeu o diálogo com outros países da América Latina que enfrentam o problema, como Bolívia, Colômbia e Paraguai.

Segundo ele, embora o crack seja o tema do momento, a sociedade não deve perder de vista os estragos que outras drogas causam, e cita o álcool, a maconha e a cocaína.

- Ele [o consumo de crack] é preocupante, mas dentro do grande contexto das drogas. [...] Temos que combater o ‘romantismo’ que se tem torno das drogas. Não tem nada de romântico em usar drogas, não só o crack.

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