terça-feira, 10 de agosto de 2010

Projeto prevê detenção de usuário de drogas para facilitar internações

do Rondônia Jurídico

Usuários de drogas que forem flagrados armazenando ou transportando substâncias ilícitas podem deixar de ser apenas advertidos sobre os efeitos de drogas ou ser obrigados a prestar serviços à comunidade. Se for aprovado o projeto de lei do Senado de autoria do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que tramita na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), pessoas que guardarem drogas, mesmo que somente para seu consumo próprio, poderão receber pena de seis meses a um ano de detenção.

A ideia, porém, explica o senador, não é a de levar o usuário para a cadeia, mas viabilizar o tratamento de dependentes químicos - já que a pena é pequena e pode ser revertida nesse sentido. "Familiares, educadores e o próprio Poder Judiciário ficaram de pés e mãos atados [após a vigência da Lei 11.343/2006] para internar o usuário. Se ele quiser se tratar arruma-se uma clínica; se recusar o tratamento, nada se pode fazer além de assistir a sua autodestruição", diz Demóstenes na justificação da matéria.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Político defende distribuição gratuita de droga. Concorda?

do TVI24

202 O candidato à liderança da JSD/Açores, Alexandre Gaudêncio, defende a distribuição gratuita de droga aos toxicodependentes que comprovem essa necessidade, considerando que são «doentes» que devem ser tratados através do Serviço Regional de Saúde.

Para Alexandre Gaudêncio, que disputa a liderança no congresso de Setembro com o actual líder, Cláudio Almeida, devem ser «criados espaços físicos nas unidades de saúde destinados apenas ao tratamento de toxicodependentes», onde equipas multidisciplinares «acompanhariam o doente ao longo do tratamento».

Gilberto Gil diz que maconha o "acompanhou" até recentemente

do Terra

 Gilberto Gil: "Das chamadas drogas, a que me acompanhou até recentemente foi a maconha"

O cantor e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, disse, em documentário que o Biography Channel exibe no dia 15, que a maconha o acompanhou até recentemente em sua vida. "Das chamadas drogas", ironiza ele. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

Gil disse que quando se mudou para Londres, tomou "cento e tantos ácidos", mas só a maconha servia, para ele, como uma "flanela na lente sentimental e musical". "Toda vez que eu fumava, desembaraçava alguma coisa", diz ele, sobre o efeito da droga.

Drogas, o debate necessário

do Estadão

Frequentemente, a informação veiculada nos meios de comunicação produz um travo na alma. A sociedade desenhada no noticiário parece refém do vírus da morbidez. Crimes, aberrações e desvios de conduta desfilam na passarela da mídia. O goleiro Bruno foi o mais recente capítulo. Os telejornais, e até mesmo os diários mais sóbrios, ficaram de joelhos para o espetáculo. Assistiu-se ao circo da morte. O crime foi o resultado de alguns desvios: o machismo da sociedade que trata a mulher como objeto de posse descartável, a cultura da impunidade, a disseminação das drogas e os valores frágeis de garotas extasiadas com ícones de plástico, mas carregados de dinheiro e glamourizados pelas engrenagens do entretenimento.

Mas não vou falar do goleiro. Vou escrever sobre o avanço das drogas, que ameaça transformar o sonho da juventude numa terrível frustração. A violência avança, impune, no Brasil e o seu principal estopim - a distribuição e o consumo de drogas - continua fora da agenda pública e do debate dos candidatos.

No mercado da cocaína o Brasil exerce triste liderança. O País é hoje o maior espaço consumidor da droga na América do Sul e provavelmente o segundo maior nas Américas. Cresce em progressão geométrica a demanda doméstica. Ademais, somos, hoje, um importante corredor de distribuição mundial.

Multiplicam-se, paradoxalmente, declarações otimistas a respeito das estratégias da redução de danos. O essencial, imaginam os defensores da nova política, não é a interrupção imediata do uso de drogas pelo dependente, mas que ele tenha uma melhora em suas condições gerais. A opção pela redução de danos pode ser justificada em determinadas situações, mas não deve ser guindada à condição de política pública. Afinal, todos sabem que, assim como não existe meia gravidez, também não há meia dependência. Embora alguns usuários possam imaginar que sejam capazes de controlar o consumo, cedo ou tarde descobrem que, de fato, já não são senhores de si próprios.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A maconha para uso medicinal

 do Site da Vereadora Mara Gabrilli

Prescrever ou não a maconha? A edição de abril da Revista New Mobility traz uma matéria completa sobre o uso da maconha como medicamento, abordando também as questões legislativas e os benefícios já relatados sobre o uso da planta como remédio. Confira a reportagem na íntegra traduzida exclusivamente para o site da vereadora Mara Gabrilli.

Prescrever maconha ?

Desde seu acidente em 1990, Mark Braunstein, um paraplégico parcial, tem vivido sozinho em uma  casa no campo em Connecticut – cuidando  de sua casa, lavando suas roupas, plantando um jardim e cozinhando – tudo isso enquanto se sustenta com seus próprios recursos, provenientes de sua atividade como escritor e bibliotecário de escola. Porém, sua paixão em plantar vegetais não é sua única atividade de jardinagem. Desde 1991, Braunstein tem fumado meio grama de maconha de sua própria plantação (mais ou menos um cigarro) toda noite depois do jantar. Sem seu baseado noturno, ele diz que não seria capaz de usar suas muletas para andar na sua casa, porque os espamos fariam com que suas pernas saíssem de seu controle. Ele tampouco seria capaz de dirigir sem o comando manual (aceleração nos carros de paraplégicos é feita através de uma alavanca controlada pelas mãos), pois sua perna errante faria seu carro derrapar para fora das ruas. “ “Não foi apesar da maconha que eu me mantive produtivo”, ele diz, “ mas sim, por causa dela”.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A idade da pedra

do Zero Hora

Rodado em Venâncio Aires, no Vale do Rio Pardo, o filme A Idade da Pedra mostra como a droga pode mudar a vida de qualquer um. A produção pretende ir bem além das salas de exibição: o longa-metragem promete chocar o espectador e provocar reflexão.

Professores de música, policiais, usuários e um empresário. O filme, que será lançado no próximo sábado, conta apenas com personagens sem nome. Desta forma, a trama pretende fazer com que o espectador se identifique com a história e reflita sobre as consequências do consumo do crack. A trama apresenta pessoas com trajetórias diferentes que se entrelaçam ao longo da história.

Esta é a segunda produção da Companhia Afro-Cena sobre os perigos das drogas – em 2008, foi lançado o filme 360.

– Geralmente, os projetos de prevenção às drogas são muito locais, mas com as produções em vídeo nós atingimos público de outras regiões. O 360 nos deu ânimo para um novo trabalho – conta o diretor e roteirista Sérgio da Rosa.

Em A Idade da Pedra, o enredo trata de uma operação policial que empresta o nome à produção. O roteiro traz cenas de violência, romance e convivência familiar.

– O cenário é esse mundo sombrio, onde vivem as pessoas envolvidas com as drogas, mas queremos mostrar a importância dos valores – conta Rosa.

Muitos atores que serão vistos no filme estreiam à frente das câmeras. A produção amadora contou com a atuação voluntária de moradores da comunidade.

– O mais incrível foi ver que eles se entregaram de verdade – diz o diretor.

leticia.mendes@zerohora.com.br

Letícia Mendes

Maconha, porta de saída?

do Zero Hora

A epidemia de crack é um dos fenômenos mais sérios na interface entre saúde pública e segurança. O que a faz particularmente grave é a reconhecida dificuldade de superar a dependência química. Pois bem, a Universidade Federal de São Paulo realizou pesquisa com 50 dependentes químicos de crack que foram submetidos a um tratamento experimental de redução de danos. Sob a coordenação do psiquiatra Dartiu Xavier, o grupo foi tratado com maconha. Daquele total, 68% trocou o crack pela maconha. Ao final de três anos, todos os que fizeram a troca não usavam mais qualquer droga (nem o crack, nem a maconha). Anotem aí: todos.

Imaginei que, com a divulgação destes resultados por Gilberto Dimenstein, na Folha de S. Paulo em 24 de maio, haveria grande interesse sobre o estudo. Nada. A resposta ao mais impressionante resultado de superação da dependência de crack no Brasil foi o silêncio. O uso medicinal da maconha tem sido admitido em dezenas de países, inclusive nos EUA. Por aqui, o tema segue interditado pela irracionalidade. É evidente que o consumo de maconha pode produzir efeitos danosos. Sabe-se que o abuso pode conduzir o usuário a problemas de concentração e memória e que em determinadas pessoas o uso está correlacionado à precipitação de surtos esquizofrênicos. Daí a criminalizar seu consumo e impedir experiências destinadas ao uso medicinal vai uma distância que tende a ser percorrida pela intolerância e pelo obscurantismo.